O que cobrar de um relatório de marketing para tomar decisões

Um guia para gestores que recebem relatórios de marketing e não conseguem usá-los para decidir nada. O que deve estar ali, o que é ruído e como transformar números em perguntas que levam a ação.

LF
Luiz Felipe Filgueira

Sócio da Cofator.

Marketing e operação comercial

Relatório que não gera decisão é decoração

Se você contrata alguém para cuidar do marketing da sua empresa e recebe um relatório mensal, a pergunta que importa é simples: depois de ler, você sabe o que precisa mudar? Se a resposta for não, o relatório não está cumprindo a função dele.

Isso não é necessariamente culpa de quem manda. Muitos relatórios são construídos para mostrar atividade, não para apoiar decisão. Têm gráficos bonitos, métricas que sobem e descem, e nenhuma linha que diga "isso aqui precisa de atenção" ou "aqui está funcionando e vale manter".

O problema é que, sem conseguir usar o relatório, o gestor fica numa posição difícil. Ou aceita tudo sem entender, ou questiona sem saber o que perguntar, ou simplesmente ignora o documento e decide pelo feeling. Nenhuma dessas opções é boa.

O que um relatório útil precisa responder

Um relatório de marketing para o gestor contratante precisa responder a quatro perguntas, independentemente do canal ou da estratégia:

  1. Quanto foi investido e em quê?
  2. O que esse investimento gerou em termos de contatos, oportunidades ou vendas?
  3. O que funcionou melhor e o que funcionou pior no período?
  4. O que será feito no próximo período com base nisso?

Se o relatório que você recebe não responde a essas quatro perguntas de forma direta, ele está incompleto para a sua necessidade. Pode ter valor técnico para quem executa a operação, mas não serve como instrumento de gestão.

Métricas de vaidade versus métricas de decisão

Impressões, alcance, curtidas e seguidores são métricas de plataforma. Elas descrevem o que aconteceu dentro do ambiente do anúncio ou da rede social. Não descrevem o que aconteceu no seu negócio.

Para um gestor, as métricas que importam são as que se conectam com o funil comercial da empresa: quantos contatos novos chegaram, de onde vieram, quantos avançaram para uma conversa comercial, quantos fecharam. Se o relatório não faz essa ponte, ele fala de um mundo que não é o seu.

Isso não quer dizer que impressões e alcance sejam inúteis. São úteis para quem está operando a campanha e precisa ajustar segmentação, criativo ou investimento. Mas, no relatório para o gestor, precisam aparecer como contexto, não como protagonistas.

Exemplo operacional hipotético

O dono de uma rede de academias em Goiânia recebe todo mês um PDF de 12 páginas da agência que cuida do marketing. O documento tem gráficos de alcance no Instagram, evolução de seguidores, impressões das campanhas no Google, custo por clique e prints de anúncios. Na última página, uma tabela com "leads gerados": 184 no mês.

Ele lê, guarda o PDF e não muda nada. Por quê? Porque 184 leads não significa nada para ele sem três informações adicionais: quantos desses 184 agendaram uma visita, quantos fecharam matrícula e de qual campanha ou canal vieram os que fecharam.

O que ele precisa pedir à agência é uma estrutura diferente. Primeiro, um resumo executivo: investimento total, contatos gerados, matrículas atribuídas ao marketing (com a ressalva de que a atribuição depende do registro), custo por matrícula. Segundo, uma comparação com o mês anterior nos mesmos termos. Terceiro, a explicação do que funcionou e do que não funcionou, com a ação proposta para o mês seguinte.

Se a agência não consegue informar quantos contatos viraram matrícula, o problema está antes do relatório: está na ausência de rastreamento entre o marketing e o comercial. E esse é um ponto que o gestor precisa resolver em conjunto, porque a agência não tem acesso ao sistema da academia sozinha.

O que é ruído num relatório

Alguns elementos que aparecem com frequência em relatórios e que, para o gestor contratante, são mais ruído do que sinal:

  • Rankings de palavras-chave sem conexão com o resultado comercial.
  • Evolução de seguidores em redes sociais sem relação com o objetivo da campanha.
  • Comparação com benchmarks genéricos de mercado ("a taxa média do setor é X%"). Cada negócio tem seu contexto; o benchmark relevante é o seu próprio histórico.
  • Capturas de tela de anúncios sem análise de desempenho.
  • Listas de tarefas executadas ("publicamos 12 posts") sem resultado associado.

Nenhum desses itens é proibido num relatório. Mas, se ocupam as primeiras páginas e as perguntas de decisão ficam para o final ou não aparecem, a prioridade está invertida.

Como pedir um relatório melhor

Se o relatório atual não funciona para você, a conversa com quem produz não precisa ser confronto. É um alinhamento de expectativa. Três pedidos concretos ajudam a alinhar a expectativa:

  • Comece com um resumo de uma página que responda as quatro perguntas listadas acima.
  • Separe o que é resultado (contatos, oportunidades, vendas) do que é operação (impressões, cliques, posts publicados).
  • Inclua o que muda no próximo mês por causa do que aconteceu neste.

Se quem produz o relatório resistir a esses pedidos ou disser que essas informações não estão disponíveis, isso já é um dado importante sobre como a operação está sendo conduzida.

Critérios para avaliar se o relatório cumpre a função

CritérioO que verificar
Clareza de investimentoO valor total investido está explícito, separado por canal?
Resultado comercialO relatório mostra contatos, oportunidades ou vendas, não só métricas de plataforma?
Comparação temporalHá comparação com o período anterior nos mesmos indicadores?
DiagnósticoO relatório identifica o que funcionou e o que não funcionou, com explicação?
Próximos passosExiste proposta de ação para o período seguinte baseada nos dados?
LegibilidadeVocê consegue entender o resumo em cinco minutos, sem precisar de explicação adicional?

Um relatório que atende esses seis critérios não precisa ser longo nem sofisticado. Precisa ser honesto sobre o que aconteceu e útil para o que vem a seguir.

Na Cofator, o relatório faz parte do método de trabalho, não é um anexo enviado por obrigação. Se você quer entender como integramos medição e decisão na operação de marketing, veja o método ATO.