O ciclo tem etapas que o marketing não controla e precisa respeitar. Depois do
interesse vem a conversa em casa, a comparação entre dois ou três empreendimentos, a
visita ao decorado, a análise de crédito no banco, a negociação da entrada e, só
então, a assinatura. Entre a primeira e a última etapa passam semanas no melhor caso
e meses no caso comum. Nenhuma plataforma de anúncio acompanha esse intervalo por
conta própria.
Quase nunca decide uma pessoa só. Em moradia, o casal decide junto e às vezes com
alguém da família que ajuda na entrada. Em investimento, entra quem cuida do dinheiro
da casa. Em serviço técnico de engenharia, decidem o sócio, o diretor de obras e quem
aprova o orçamento. Comunicação desenhada para um único interlocutor perde a metade
da mesa que ainda não está convencida.
O ticket muda a natureza do trabalho. Uma unidade vendida cobre muitos meses de
investimento em mídia, o que dá folga para trabalhar demanda com calma. A mesma conta
tem o outro lado: o volume de negócios é baixo, então oscilação de duas ou três vendas
já muda o mês inteiro. Ler esse mercado por média semanal produz conclusão errada com
frequência.
O funil real, além do formulário
Do lado da construtora e da imobiliária, a sequência é clique, contato, qualificação,
agendamento, comparecimento no plantão ou no estande, proposta, análise de crédito,
contrato. Do lado da engenharia e da arquitetura, é clique, contato, reunião técnica,
levantamento, proposta, negociação, contrato. Em ambas, o relatório de mídia termina
no segundo passo e chama aquilo de conversão. A receita aparece no último.
É por isso que trocar de fornecedor de tráfego raramente resolve. A campanha entrega o
contato, e o contato se perde em uma passagem que ninguém está medindo: a resposta que
demorou, a visita que não foi confirmada, a proposta que ficou sem retorno, o cliente
que aprovou o crédito e nunca mais foi chamado.